Início OpiniãoAbordagem Diagnóstica Dimensional dos Transtornos de Personalidade: Uma Análise da CID-11

Abordagem Diagnóstica Dimensional dos Transtornos de Personalidade: Uma Análise da CID-11

por Redação CPAH

A nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11) marcou uma mudança significativa na forma como os transtornos de personalidade são diagnosticados, abandonando o modelo categórico em favor de uma abordagem dimensional. Nesse novo modelo, os tipos de transtornos de personalidade são representados por características comuns e a gravidade do transtorno é avaliada para informar as estratégias de tratamento e o prognóstico.

Um estudo de revisão da literatura, com foco no Transtorno de Personalidade Esquiva (TPE), ilustra essa nova abordagem diagnóstica. O caso de um estudante de 26 anos sem amigos desde a escola e com pensamentos suicidas recorrentes foi apresentado como exemplo. De acordo com pesquisas, as pessoas com TPE possuem traços proeminentes de afetividade negativa e desapego. O paciente em questão apresentou um aumento nesses traços, além de anancastia e uma redução na dissocialidade, com uma pontuação de transtorno de personalidade leve em escalas de gravidade. Essa nova classificação por domínios de traços e gravidade é considerada útil para a adoção dos critérios diagnósticos da CID-11 para transtornos de personalidade.

Outra pesquisa analisou o nível de funcionamento da personalidade em pacientes com sintomas de ansiedade. O estudo revelou que 68% dos indivíduos com transtorno neurótico e alto grau de ansiedade têm algum grau de disfunção da personalidade. A prevalência de transtorno de personalidade foi alta, atingindo 48% nessa população. A conclusão do estudo é que a presença de ansiedade acentuada está frequentemente associada a uma disrupção da personalidade. Por isso, o tratamento para esses pacientes deve ser ajustado para abordar tanto os sintomas de ansiedade quanto as disfunções de personalidade subjacentes.

A comorbidade entre transtornos de personalidade e outros transtornos mentais também é um tema de relevância. Um estudo com 54 pacientes com uso problemático de substâncias psicoativas demonstrou uma alta frequência de transtornos de personalidade nessa população, sendo os mais comuns os transtornos de personalidade antissocial, histriônico e borderline. O estudo concluiu que o tratamento de ambas as condições deve ser simultâneo (cuidado integrado) para melhorar o prognóstico.

Essas abordagens dimensionais e a atenção à comorbidade e aos traços de personalidade subjacentes são cruciais para um diagnóstico e tratamento mais eficazes na saúde mental, conforme preconizado pelos novos critérios da CID-11.

Referência:

Bogdanovska Toskic, A., & Arsova Hadzi-Angjelkovska, S. (2024). Avoidant personality disorder through the lens of ICD 11. European Psychiatry, 67(S1), S655–S656. doi:10.1192/j.eurpsy.2024.1360.

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