Home OpiniãoA proeminência da depressão no transtorno bipolar: Uma análise histórica e contemporânea

A proeminência da depressão no transtorno bipolar: Uma análise histórica e contemporânea

by Redação CPAH

O transtorno bipolar (TB) é uma doença complexa, e sua compreensão tem evoluído desde as primeiras descrições no século XIX. Os alienistas franceses Jules Baillarger e Jean-Pierre Falret foram os primeiros a conceituar a “loucura de dupla forma” e a “loucura circular”, respectivamente, com ambas as descrições incluindo episódios alternados de excitação e depressão. No final do século XIX, Emil Kraepelin propôs uma visão mais ampla, a “loucura maníaco-depressiva”, que englobava tanto o transtorno bipolar atual quanto o transtorno depressivo maior. Kraepelin observou que os estados depressivos tendiam a ser mais longos do que os maníacos e se tornavam mais proeminentes com o avanço da idade.

que a duração média dos episódios depressivos é consistentemente maior do que a dos episódios maníacos. Em uma análise de 1.130 pacientes com transtorno bipolar, a duração média dos episódios depressivos foi de 5,2 meses, 50% mais longa do que a dos episódios maníaco-hipomaníacos, que duraram em média 3,5 meses. A duração dos episódios não variou significativamente entre os subtipos de diagnóstico do transtorno bipolar, incluindo tipo I, tipo II, com episódios mistos (BD-Mx) e com características psicóticas (BD-P).

A pesquisa destacou que os pacientes com transtorno bipolar tipo II e aqueles com episódios predominantemente mistos (BD-Mx) são particularmente “propensos à depressão”. Embora a taxa de recorrência (episódios por ano) de depressão e mania seja similar em geral, a maior duração dos episódios depressivos resulta em uma maior proporção de tempo gasto em depressão do que em mania. Pacientes com transtorno bipolar tipo II gastaram quase três vezes mais tempo em depressão do que em hipomania. Já pacientes com características psicóticas e do tipo I apresentaram maior proporção de tempo em mania, em contraste com a maioria dos outros subtipos.

A persistência do componente depressivo no transtorno bipolar, que já era evidente antes do desenvolvimento de medicamentos modernos, é uma preocupação clínica fundamental. Os resultados do estudo ressaltam o controle limitado da depressão bipolar com os tratamentos atuais. Os tratamentos disponíveis, em sua maioria, são mais eficazes contra a mania do que contra a depressão, o que pode contribuir para a predominância da morbidade depressiva nos pacientes. A distinção entre o transtorno bipolar tipo I, tipo II e outros subtipos com base na predominância da depressão ou mania é crucial para a prática clínica e para o desenvolvimento de terapias mais eficazes no futuro.

Referência:

Tondo, L., Vázquez, G. H., & Baldessarini, R. J. (2017). Depression and Mania in Bipolar Disorder. Current Neuropharmacology, 15(3), 353–358. https://doi.org/10.2174/1570159X14666160606210811

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