O transtorno depressivo unipolar na adolescência constitui uma condição psiquiátrica de alta prevalência em escala global, porém, é notavelmente sub-reconhecido (Thapar et al., 2012). Este período de desenvolvimento, crucial para a formação da saúde mental adulta, é marcado por uma transição epidemiológica na incidência da depressão.
Epidemiologia e Carga Global da Doença
A incidência do transtorno depressivo unipolar exibe um aumento acentuado após o advento da puberdade, sendo essa elevação particularmente expressiva no sexo feminino. De fato, as análises epidemiológicas indicam que, ao término do período adolescente, a taxa de prevalência anual do transtorno ultrapassa 4% (Thapar et al., 2012). É imperativo notar que a maior carga desta morbidade está concentrada em países de baixa e média renda.
Consequências Clínicas e Fatores de Risco
A depressão juvenil está intrinsecamente associada a uma substancial morbidade, com implicações negativas significativas tanto no momento presente quanto em desfechos futuros. Adicionalmente, a condição é um fator que intensifica o risco de suicídio (Thapar et al., 2012).
A identificação de preditores de risco é essencial para a saúde pública e a intervenção clínica. Neste contexto, os fatores de risco mais robustos para o desenvolvimento da depressão em adolescentes são classificados como fatores familiares (Thapar et al., 2012). O reconhecimento precoce desta condição, que frequentemente não é diagnosticada, é fundamental para mitigar a sua carga e as consequências adversas associadas à trajetória de vida dos indivíduos afetados.
Referência:
THAPAR, Anita et al. Depression in adolescence. The Lancet, [s.l.], v. 379, n. 9820, p. 1056-1067, 17 mar. 2012. DOI: 10.1016/S0140-6736(11)60871-4.