O desempenho esportivo é um fenômeno multifatorial, resultante da interação entre treinamento, ambiente e a biologia individual. Avanços recentes nas tecnologias ômicas permitiram a identificação de aproximadamente 185 marcadores genéticos que influenciam diferentes fenótipos atléticos. A literatura científica estabelece que as variações genéticas modulam desde a composição das fibras musculares até a capacidade cardiorrespiratória, definindo o potencial inato de um indivíduo para se destacar em modalidades de força ou resistência.
No âmbito da potência e velocidade, o gene da α-actinina-3 (ACTN3), especificamente o polimorfismo R577X, destaca-se como um dos principais determinantes. A presença do alelo R (genótipos RR ou RX) resulta na expressão da proteína α-actinina-3 em fibras musculares de contração rápida, sendo significativamente associada a atletas de elite em modalidades explosivas. Complementarmente, o gene da Enzima Conversora de Angiotensina (ACE) apresenta um polimorfismo de inserção/deleção (I/D). Enquanto o alelo D está frequentemente correlacionado ao desempenho de força e potência, o alelo I associa-se à eficiência metabólica e ao desempenho em atividades de endurance.
Além dos marcadores de desempenho muscular, genes relacionados à integridade estrutural, como o COL5A1 e o COL1A1, desempenham papéis cruciais na resistência de tendões e ligamentos. Polimorfismos nesses genes podem influenciar o risco de lesões musculoesqueléticas, afetando a longevidade da carreira atlética. Embora a genética forneça o “mapa” do potencial biológico, é a sinergia entre esses fatores moleculares e o treinamento estruturado que determina o sucesso no esporte de alto rendimento.
Referência (ABNT):
KAHYA, Sedat; TAHERI, Morteza. Exploring the nexus between sports performance and genetics: a comprehensive literature review. Cellular and Molecular Biology, v. 70, n. 5, p. 1492-1501, 31 maio 2024. DOI: 10.14715/cmb/2024.70.5.21.

