Início OpiniãoA Frequência de Pico Alfa como um Biomarcador da Função Cognitiva no Transtorno do Espectro Autista

A Frequência de Pico Alfa como um Biomarcador da Função Cognitiva no Transtorno do Espectro Autista

por Redação CPAH

A função cognitiva no Transtorno do Espectro Autista (TEA) varia significativamente entre os indivíduos, atuando como um preditor chave dos resultados e da resposta às intervenções. Apesar de sua relevância clínica, os mecanismos neurobiológicos que sustentam a função cognitiva em crianças com TEA ainda são pouco compreendidos. O estudo “Peak alpha frequency is a neural marker of cognitive function across the autism spectrum” explora a frequência de pico alfa (FPA) como um potencial biomarcador neural da função cognitiva em crianças com TEA, oferecendo insights valiosos sobre a heterogeneidade da condição.

As oscilações neurais na banda alfa (6–12 Hz) estão associadas à cognição e são altamente sensíveis a mudanças no desenvolvimento das redes neurais. A FPA, a frequência em que as oscilações alfa demonstram potência máxima, aumenta com a idade cronológica em crianças com desenvolvimento típico (DT) e reflete a integridade e maturação das redes neurais. No entanto, no TEA, essa relação com a idade cronológica não é consistente.

O estudo, que envolveu 59 crianças com TEA e 38 crianças DT, encontrou diferenças significativas na FPA entre os grupos. Em nível de grupo, a FPA foi significativamente menor em crianças com TEA em comparação com as crianças DT, especialmente nas regiões frontal e central do cérebro. Nas crianças DT, a FPA se correlacionou positivamente com a idade, refletindo o padrão típico de maturação neural. Já nas crianças com TEA, essa associação com a idade estava ausente.

De maneira crucial, o estudo revelou que, no grupo TEA, a FPA se correlacionou fortemente com a função cognitiva não-verbal (NVIQ), mas não com a idade cronológica. Essa descoberta sugere que, para indivíduos com TEA, a FPA é um marcador mais robusto da função cognitiva do que a idade. Os autores argumentam que, devido a comprometimentos de comunicação característicos do TEA, a NVIQ pode ser uma estimativa mais independente da capacidade cognitiva subjacente do que o QI verbal (VIQ).

A relação entre a FPA e a NVIQ no TEA sugere que desvios no desenvolvimento de redes neurais podem ser a base da função cognitiva nessa população. A FPA tem sido associada à arquitetura da substância branca e ao desenvolvimento de conexões cortico-talâmicas, elementos estruturais que sustentam a comunicação em redes neurais de grande escala. Portanto, uma FPA alterada pode indicar anormalidades nessas projeções, o que contribui para a disfunção cognitiva observada no TEA.

Os resultados deste estudo são promissores para a área de transtornos do neurodesenvolvimento. A FPA, que pode ser medida de forma não invasiva com eletroencefalografia (EEG), poderia servir como um biomarcador para a integridade da atividade neural em nível de rede. Futuras pesquisas poderiam usar a FPA longitudinalmente, desde a primeira infância, para identificar crianças em risco, monitorar mudanças com intervenções e prever resultados cognitivos.

Referência:

Dickinson, A., DiStefano, C., Senturk, D., & Jeste, S. S. (2018). Peak alpha frequency is a neural marker of cognitive function across the autism spectrum. European Journal of Neuroscience, 47(6), 565–575. DOI: 10.1111/ejn.13645.

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