A Crise da Liderança Humana na Era da Alta Performance: Um Ensaio Crítico

A contemporaneidade organizacional é marcada pela ênfase em metas agressivas e avanços tecnológicos acelerados. Nesse contexto, a liderança, em sua essência humana, tem sido frequentemente negligenciada, o que culmina em práticas de gestão desumanizadas que comprometem o ambiente de trabalho, o engajamento das equipes e a sustentabilidade dos resultados. O culto à alta performance tem moldado um novo tipo de liderança, na qual as pessoas são vistas como meros elementos operacionais, e não como indivíduos com complexidade emocional, criativa e relacional. Essa abordagem técnica e funcional, desconectada da essência humana, tem transformado os objetivos organizacionais em metas insaciáveis.

A saúde mental dos líderes é um ponto crítico, pois muitos deles se encontram doentes e desconectados de suas próprias identidades, talentos e fraquezas. A negação de suas deficiências e a transferência de sua própria rigidez para os outros criam ambientes de trabalho tóxicos e desmotivadores. A falta de autoconhecimento é a base dessa fragilidade emocional e profissional. A liderança verdadeira, que inspira e transforma, tem se tornado rara, uma vez que a liderança moderna se baseia excessivamente em métricas e resultados, em detrimento da empatia e do cuidado com o ser humano. A Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que, em 2019, aproximadamente 1 bilhão de pessoas viviam com algum transtorno mental. Além disso, um levantamento do Instituto QualiBest indicou que 73% dos entrevistados já haviam experimentado sintomas emocionais, como insônia (40%), cansaço sem causa aparente (34%) e irritabilidade (32%).

A síndrome de burnout, reconhecida pela OMS como uma doença ocupacional, é uma consequência direta do estresse crônico no trabalho, expondo especialmente executivos e gerentes. Em 2023, uma pesquisa da Gallup, intitulada “State of the Global Workplace,” revelou que 76% dos trabalhadores relataram sintomas de burnout ocasionalmente, e 23% frequentemente. No Brasil, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que 56% dos profissionais em regime de home office e híbrido durante a pandemia sentiram exaustão emocional significativa. A produtividade está diretamente ligada à saúde emocional do líder; equipes doentes demandam mais esforço e produzem menos, sobrecarregando os demais membros. A OMS estima que a depressão e a ansiedade causam a perda de 12 bilhões de dias de trabalho anualmente, resultando em prejuízos de até 1 trilhão de dólares para a economia global.

Nesse cenário, a recuperação de uma liderança baseada em autoconhecimento, empatia e desenvolvimento humano é fundamental para a construção de organizações mais saudáveis e eficazes. O autoconhecimento é o primeiro passo para a preservação da saúde emocional do líder, permitindo que ele reconheça suas vulnerabilidades e construa equipes mais fortes. A liderança verdadeira é um exercício de serviço, que oferece suporte à equipe, inspira e promove o crescimento dos indivíduos. O líder que se conhece e compreende que sua identidade não se confunde com sua performance é capaz de criar um ambiente seguro e de confiança, o que evita a busca por validação baseada unicamente em resultados. Em última análise, a liderança sustentável transcende a busca por metas e gráficos crescentes; ela se manifesta nas vidas transformadas, nos laços fortalecidos e nas culturas organizacionais curadas.

Referência:

Oliveira, G. L. (2025). A crise da liderança humana em tempos de alta performance: Um ensaio sobre empatia, identidade e sustentabilidade nas organizações. Open Minds Internacional Journal, 1(1), 1-6. DOI: https://doi.org/10.22533/at.ed.5157125230071.

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