A Arquitetura Genética do Rendimento Atlético: Uma Perspectiva sobre Força e Resistência

A performance atlética de elite é o resultado de uma interação complexa entre treinamento rigoroso, nutrição otimizada e um substrato biológico favorável determinado pela hereditariedade. Embora fatores ambientais como a dieta e o suporte médico sejam fundamentais, estima-se que a genética contribua com aproximadamente 66% da variância no status atlético, influenciando diretamente fenótipos como a capacidade cardiovascular e a composição das fibras musculares.

Estudos contemporâneos de associação genômica ampla (GWAS) identificaram diversos polimorfismos que funcionam como determinantes críticos do desempenho. Um dos genes mais estudados é o da enzima conversora de angiotensina (ACE), onde o polimorfismo de inserção/deleção (I/D) desempenha um papel central. O alelo “I” está associado a menores níveis de atividade enzimática, o que promove a vasodilatação e melhora a oferta de oxigênio aos músculos, sendo frequentemente encontrado em atletas de resistência, como maratonistas e ciclistas. Em contrapartida, o genótipo “DD” correlaciona-se com a hipertrofia do ventrículo esquerdo e maior força explosiva, características prevalentes em modalidades de potência.

Outro marcador de relevância é o polimorfismo M235T do gene do angiotensinogênio (AGT). O alelo “T” é classificado como de “ganho de função”, elevando as concentrações plasmáticas de angiotensinogênio e aumentando a atividade do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), o que pode otimizar a eficiência cardiovascular necessária para atividades de alta intensidade e força. Adicionalmente, o gene da sintase de óxido nítrico endotelial (NOS3) contribui para a regulação do fluxo sanguíneo através da produção de óxido nítrico, um potente vasodilatador. O alelo “T” do polimorfismo rs2070744 tem sido associado à melhora da função vascular durante o exercício prolongado, favorecendo o desempenho de resistência.

A compreensão destes determinantes genéticos — que incluem ainda os genes ACTN3 para composição de fibras rápidas, HIF1A para resposta à hipóxia e o DNA mitocondrial (mtDNA) para metabolismo oxidativo — oferece insights valiosos para a personalização das estratégias de treinamento. Contudo, é imperativo reconhecer que a genética não atua de forma isolada; o sucesso esportivo depende da harmonia entre o potencial inato e a exposição a estímulos ambientais adequados.

Referência (ABNT):

YAO, J. et al. Importance of selected genetic determinants on endurance performance and physical strength: a narrative review. Frontiers in Physiology, v. 16, n. 1568334, 26 jun. 2025. DOI: 10.3389/fphys.2025.1568334.

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