Uma pesquisa inovadora conduzida por cientistas do Scripps Research Institute trouxe novas perspectivas sobre como os blocos fundamentais da vida podem ter se formado na Terra primitiva. Publicada na revista Angewandte Chemie, a investigação focou na ribose, um açúcar que, segundo os pesquisadores, pode ter sido “escolhido” pela natureza para atuar como a base química da vida.
Os cientistas descobriram que a ribose se liga ao fosfato, um componente chave do RNA, de maneira notavelmente mais rápida e eficiente do que outros açúcares de estrutura similar, como arabinose, lixose e xilose. Essa ligação é crucial para a formação dos nucleotídeos, que são os blocos construtores do RNA e do DNA.
Utilizando uma técnica avançada de espectroscopia de ressonância magnética nuclear, a equipe demonstrou a formação predominantemente anelada de cinco membros na ribose – um arranjo estrutural que se assemelha às estruturas atuais do RNA e DNA – em contraste com os outros açúcares, que produzem formas variadas.
O estudo revelou que, quando uma molécula doadora de fosfato (DAP) reagiu com quantidades iguais dos quatro açúcares, o DAP reagiu preferencialmente com a ribose. Isso indica uma vantagem química natural da ribose, evidenciando seu papel na seletividade estrutural e no surgimento das moléculas da vida.
Apesar dos avanços significativos, os cientistas enfatizam que essas reações simuladas representam apenas uma parte do caminho para a formação da vida. A vida na Terra é um processo complexo que envolve múltiplas etapas desconhecidas, com interações complexas entre moléculas, sistemas e organismos biológicos. A próxima fase da pesquisa testará se essas reações podem ocorrer dentro de protocélulas – estruturas primitivas que teriam precedido as células vivas. Caso confirmada, essa possibilidade poderá ajudar a explicar como a vida deu seus primeiros passos químicos no nosso planeta.
Fonte:
sciencedaily.com/where-did-rna-come-from-scientists-find-a-chemical-clue/