Um estudo publicado na revista Science em abril de 2025 por Mingsha Zhang, da Universidade Normal de Pequim, identificou pela primeira vez como estruturas profundas do cérebro, especificamente o tálamo, são ativadas quando o cérebro se torna consciente de seus próprios pensamentos (percepção consciente).
Neurocientistas já sabiam que o córtex cerebral (camada externa do cérebro) participa da consciência de pensamentos específicos. No entanto, o papel de estruturas mais profundas era difícil de investigar devido à necessidade de cirurgias invasivas em humanos e desafios em experimentos com animais.
Neste estudo, pesquisadores monitoraram a atividade cerebral de pacientes que já tinham eletrodos implantados no cérebro para tratamento de dores de cabeça severas. Os participantes realizavam uma tarefa visual simples (mover os olhos ao notar um ícone brevemente exibido), sendo que o ícone era projetado para ser percebido conscientemente apenas metade das vezes.
As gravações simultâneas da atividade neural no tálamo e no córtex revelaram diferenças significativas quando os participantes estavam conscientes do ícone em comparação com quando não estavam. A atividade no tálamo, em certas áreas, era mais forte e ocorria mais cedo do que no córtex durante a percepção consciente, sugerindo que o tálamo atua como um filtro, controlando quais informações sensoriais alcançam a consciência.
Essa descoberta é apoiada por estudos anteriores em animais. Pesquisadores da Universidade de Sydney descreveram o trabalho como “notável” por permitir observar a coordenação temporal da atividade neural entre diferentes regiões cerebrais.
Embora o estudo seja considerado uma investigação elaborada sobre o papel do tálamo na consciência, alguns questionam se a tarefa realmente capturou a atividade neural específica da experiência consciente ou apenas a atenção a um estímulo.
Os pesquisadores planejam realizar mais experimentos em humanos e macacos para investigar mais detalhadamente a atividade cerebral relacionada à consciência.