Início ColunaNeurociênciasEm definitivo: QI não define toda a inteligência

Em definitivo: QI não define toda a inteligência

Os melhores e mais fidedignos testes de QI, tendo a Escala Wechsler como padrão-ouro, vão além de medir a lógica, mapeando com precisão quatro pilares fundamentais da arquitetura cognitiva

por Redação CPAH

Conhece pessoas com QI altíssimo que não tomam decisões, evitam riscos, são fanáticas por ideias fixas, reagem impulsivamente em redes sociais, julgam sem empatia, carecem de resiliência, fogem de começar algo novo ou sequer percebem o óbvio? Pois é.

Os melhores e mais fidedignos testes de QI, tendo a Escala Wechsler como padrão-ouro, vão além de medir a lógica, mapeando com precisão quatro pilares fundamentais da arquitetura cognitiva:

1 Inteligência Fluida: A capacidade bruta de raciocinar, resolver problemas novos e identificar padrões lógicos, associada ao córtex pré-frontal dorsolateral e parietal.

2 Inteligência Cristalizada: A profundidade do conhecimento verbal e cultural acumulado, influenciada por educação e contexto cultural.

3 Memória de Trabalho: A eficiência do ‘bloco de notas’ mental para reter e manipular informações em tempo real, dependente do córtex pré-frontal dorsolateral.

4 Velocidade de Processamento: A rapidez no processamento de informações visuais simples, ligada a redes de atenção parietal.

A esmagadora maioria dos outros testes, especialmente os que se encontram online, nem sequer consegue avaliar de forma fiável este conjunto completo de competências.

Apesar de sua alta confiabilidade técnica, esses testes são ‘cegos’ para dimensões essenciais da inteligência humana. Eles não capturam a criatividade intuitiva, aquela faísca que acende sem aviso e que muda uma vida ou o mundo, nem a profundidade da inteligência emocional ou a complexidade das habilidades sociais.

Simplificando:
Durante a execução de um teste de QI, o cérebro otimiza o processamento lógico e, para isso, reduz a atividade em regiões como o córtex pré-frontal ventromedial, orbitofrontal, amígdala e sulco temporal superior, áreas essenciais para a leitura emocional refinada, autorregulação comportamental, tomada de decisão com sensibilidade social, interpretação afetiva do ambiente e a subjetividade do pensamento profundo que acende com a emoção as ideias.

Curiosamente, são justamente essas regiões, silenciadas durante o raciocínio abstrato, que muitas vezes sustentam a ideia disruptiva, a intuição criativa, o salto imaginativo. Ou seja, aquilo que verdadeiramente pode mudar o mundo.

Por isso, há alguns anos, defini o conceito de Inteligência DWRI, em resumo, estado de pleno desenvolvimento de todas as sub-regiões cerebrais envolvidas na cognição. Este conceito foi recentemente validado por Howard Gardner, por e-mail institucional, em conversa com a pesquisadora Flávia Ceccarto, professor de Harvard e autor da Teoria das Inteligências Múltiplas, as quais eu considero serem habilidades desenvolvidas a partir de precursores cognitivos

Ou seja: um QI alto pode indicar eficiência cognitiva, mas não diz nada sobre inteligência afetiva, resiliência emocional ou criatividade subjetiva, essa que move o novo, transforma ambientes e constrói soluções sem roteiro prévio.

Talvez, o nome mais justo para o que chamam de “inteligência emocional” seja mesmo inteligência afetiva: a habilidade de sentir com profundidade, ressignificar experiências e adaptar-se com humanidade.

Inteligência real é mais do que cálculo. É presença, intuição e impacto.

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Alguns destaques

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