A Primazia da Genética: O Precursor Inato do Comportamento

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Por: Dr Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues

​A interpretação correta sobre o que a predisposição genética revela demonstra que a biologia atua como um precursor fundamental: o indivíduo é, em essência, o que a sua genética delimita. Embora fatores ambientais e educacionais interfiram no desenvolvimento humano, essa influência ocorre apenas dentro das margens estabelecidas pela predisposição genética.

​Se fatores ambientais influenciam o comportamento, eles o fazem atuando sobre uma estrutura da qual a genética é a precursora. Isso significa que toda a educação recebida molda o indivíduo, mas são os genes que determinam como essa moldagem ocorre e até onde ela pode ir. Por mais significativos que sejam os estímulos externos na vida de uma pessoa, ela sempre manifestará traços de personalidade e comportamentais oriundos de sua herança biológica.

​A genética é, portanto, a priori. Qualquer ato ou comportamento manifestado em resposta ao ambiente remete, invariavelmente, a uma possibilidade comportamental genética latente, pois esta funciona como o precursor inato de toda ação.

​Exemplo Hipotético: A Ressonância Fenotípica

​Para ilustrar cientificamente, considere um cenário hipotético envolvendo neurodivergência ou o chamado “Fenótipo Ampliado do Autismo”. Imagine um mentor (figura paterna ou educador) que possui traços autistas não diagnosticados, ou seja, indivíduos cujos mecanismos cognitivos compensam os déficits clássicos, mantendo-os funcionais, mas operando com uma lógica neurológica específica.

​Se um jovem sob a tutela desse mentor relata que a educação recebida foi extremamente significativa e ressoou profundamente com ele, isso não se deve apenas à qualidade da instrução ambiental. É plausível afirmar que essa conexão ocorre porque o jovem compartilha de uma predisposição genética semelhante. O cérebro do aprendiz funciona de maneira análoga ao do mentor.

​A identificação ocorre pela similaridade da condição biológica. É o fenótipo compartilhado que permite que a educação “encaixe”. Em contrapartida, em um mesmo ambiente, outro indivíduo pode não se identificar ou não absorver a mesma educação da mesma forma. A razão para essa discrepância não é o ambiente (que foi o mesmo), mas a ausência da compatibilidade genética. Onde não há espelhamento biológico, a influência ambiental perde força diante da determinação genética.

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