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Acidente Vascular Encefálico: Existe diferença de incidência entre os sexos?

por Fabiano de Abreu Rodrigues

Quais são as disparidades entre os sexos na epidemiologia e nos desfechos do AVE e por que elas existem?

 

O AVE – Acidente Vascular Encefálico, conhecido popularmente como Acidente Vascular Cerebral, ou AVC, ele ocorre quando há a obstrução ou rompimento dos vasos que transportam sangue ao cérebro, é uma doença muito comum no Brasil, mas existem evidências de que sua incidência e gravidade é maior em mulheres.

Apesar de as taxas de AVE – Acidente Vascular Encefálico – específicas para a idade pareçam ser mais altas em homens, nos Estados Unidos (O risco de AVE ao longo da vida para uma mulher de meia-idade é cerca de  21%, já para um homem de meia-idade é em torno de 17%), na Europa Oriental e no Leste Asiático, o risco de AVE ao longo da vida é ainda maior.

Embora mulheres em idade fértil apresentem um número maior de AVEs do que os homens, as evidências sugerem não apenas uma maior incidência, como também um impacto maior dos fatores tradicionais (hipertensão, diabetes, obesidade) no risco de em mulheres em relação aos homens na meia-idade.

Há vários motivos que explicam essa disparidade, por exemplo, as diferentes alterações biológicas que ocorrem ao longo da  vida das mulheres influenciam o risco de AVE, o uso de contraceptivos orais está associado a um risco duas vezes maior da doença em mulheres jovens, além do fato de que as mulheres tendem a viver mais tempo do que os homens e, portanto, são mais propensas a apresentar uma carga maior de fatores de risco (incluindo fibrilação atrial) e o risco de AVE também parece ser maior em mulheres idosas.

As mulheres apresentam pior recuperação funcional e menor qualidade de vida após o AVE em comparação com os homens, mais de 55.000 AVEs fatais ocorrem em mulheres a cada ano em comparação com os homens, mesmo após ajustes para a idade.

Embora não pareça haver diferenças claras, baseadas no sexo, no acesso à reabilitação do AVE nos EUA, no Canadá e na Europa, as mulheres não apresentam os mesmos níveis de recuperação que os homens. Os homens são mais propensos a ter um cuidador em casa, como um cônjuge, para apoiá-los; assim, eles tendem a receber alta mais frequentemente para suas casas após um AVE. Por outro lado, as mulheres podem ter menos tempo gasto em programas de reabilitação devido aos compromissos e responsabilidades familiares.

Novas evidências do Critical Period After Stroke Study (CPASS) sugerem que pode haver um “período crítico” após o AVE, no qual as grandes melhorias na função motora são observadas, foi constatado que a intervenção é mais eficaz nos primeiros 2–3 meses após o AVE, demonstrando que pode existir um período sensível para recuperação motora,23 e destacando por que é urgente uma maior captação de serviços de reabilitação de AVE por mulheres.

No entanto, ainda há uma necessidade de explorar fatores psicossociais e socioeconômicos que possam contribuir para as diferenças observadas entre sexo e gênero nos desfechos de AVE durante toda a vida, enquanto focar nos PROMS pode nos ajudar a fechar essa lacuna, avaliar a partir da perspectiva dos pacientes e suas necessidades individuais pós-AVE.

Posto isso, a prevenção é o mais indicado para evitar quadros de AVE, os testes genéticos são sugeridos por especialistas para a detecção do quadro, como ressalta o PhD neurocientista, Dr. Fabiano de Abreu Agrela.

“Um estudo de Paolucci e colegas descobriu que os homens tinham probabilidade três vezes maior do que as mulheres de subir escadas e realizar atividades de vida diária após o AVE e uma revisão de 11 estudos de AVE isquêmico descobriu que as mulheres tinham probabilidade duas vezes maior de serem colocadas em unidades de cuidados de longo prazo do que de irem para casa após hospitalização por AVE, por isso, a melhor solução é a prevenção, os testes genéticos ainda não são caros para o Brasil, mas é a melhor forma de prevenção e é assertivo.”

Alguns destaques

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