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A evolução bacteriana

por Redação CPAH

Por: Dr. Fabiano de Abreu

Os feitos grandiosos de seres microscópicos

Sabemos que o processo de fotossíntese foi, e ainda é, essencial para que a vida na terra pudesse prosperar. O fato de plantas se alimentarem da luz do sol e expelirem oxigênio é um dos grandes responsáveis pela transformação da atmosfera terrestre que conhecemos, além de ser o ponto de partida da maior parte das cadeias alimentares na Terra.

Esse processo físico-químico não é realizado apenas por plantas, mas sim por todos os seres vivos clorofilados, o que é o caso de algumas bactérias. Porém, recentemente, a ciência descobriu uma espécie de bactéria que apresenta, como os pesquisadores mesmo afirmam, uma tecnologia de fotossíntese “roubada” e um dispositivo molecular comedor de luz diferente de todos vistos até o momento.   

A bactéria é encontrada no deserto de Gobi, e seu nome científico é Gemmatimonas phototrophica, uma denominação um tanto quanto extensa para um organismo unicelular tão pequeno. A explicação para esse dispositivo diferenciado encontrado em seu organismo acontece porque essa bactéria roubou todo um conjunto de genes relacionados à fotossíntese de uma proteobactéria antiga.

Essa descoberta evidencia o poder das habilidades horizontais de transferência de genes realizados por esses organismos unicelulares, e que estão relacionadas à resistência aos antibióticos, assunto tão debatido hoje nas comunidades médicas e científicas. A evolução bacteriana é real, e devemos estar sempre atentos a essas mudanças e como elas podem impactar os ciclos biológicos. 

Para explicar o funcionamento da G. phototrophica, devemos entender que o complexo de células de captura de luz solar encontrado nesta bactéria, novo para a ciência, possui um centro de reação central, um anel interno de captura já visto em outros organismos unicelulares e um novo tipo de anel externo.

Essa estrutura fotossintetizadora exige mais energia para ser construída, mas os pesquisadores responsáveis pela sua descoberta afirmam que a sua extraordinária estabilidade e robustez podem compensar esse fator. O fato dessa bactéria ter desenvolvido, de forma independente, uma arquitetura compacta capaz de coletar e capturar energia solar, representa uma possível vantagem evolutiva.

Ao analisar estudos como esses, me pego pensando: nós, seres humanos, nos vangloriamos por nossa capacidade de evolução e adaptabilidade, mas quando nos deparamos com seres vivos microscópicos capazes de algo tão grandioso como o feito realizado pela G. phototrophica, as nossas próprias realizações não parecem mais tão magníficas assim. Quem sabe um dia poderemos fazer que nem esse pequeno ser e roubar antigos segredos da fotossíntese contidos nele, para que possamos aperfeiçoar a biologia sintética movida a energia solar.

Estudo publicado: https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.abk3139

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Prof. Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues é PhD em Neurociências, Mestre em Psicanálise, Doutor e Mestre em Ciências da Saúde nas áreas de Psicologia e Neurociências com formações também em neuropsicologia, licenciatura em biologia e em história, tecnólogo em antropologia, pós graduado em Programação Neurolinguística, Neuroplasticidade, Inteligência Artificial, Neurociência aplicada à Aprendizagem, Psicologia Existencial Humanista e Fenomenológica, MBA, autorrealização, propósito e sentido, Filosofia, Jornalismo, Programação em Python e formação profissional em Nutrição Clínica. Atualmente, é diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito; Membro ativo da Redilat – La Red de Investigadores Latinoamericanos; Chefe do Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International, diretor da MF Press Global, membro da Sociedade Brasileira de Neurociências e da Society for Neuroscience, maior sociedade de neurociências do mundo, nos Estados Unidos. Membro da Mensa International, Intertel e Triple Nine Society (TNS), associação e sociedades de pessoas de alto QI, esta última TNS, a mais restrita do mundo; especialista em estudos sobre comportamento humano e inteligência com mais de 100 estudos publicados.

 

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