Início Opinião Vivemos um coletivo de transtorno de personalidade dramática / We live in a dramatic personality disorder collective

Vivemos um coletivo de transtorno de personalidade dramática / We live in a dramatic personality disorder collective

por Redação CPAH

Por: Dr. Fabiano de Abreu Rodrigues

Nossa sociedade está vivendo um coletivo de transtornos de personalidade dramática derivado de uma ansiedade descontrolada. Os sintomas mais evidentes são de comportamentos incoerentes, falta de percepção aparente, imaturidade com traços de compulsividade.

Para afirmar tal convicção, vou pontuar os sintomas mais comuns de pessoas com esses transtornos como; transtorno de personalidade narcisista (TPN), transtorno de personalidade histriônica (TPH), transtorno de personalidade borderline (TPB), transtorno de personalidade antissocial (TPAS), transtorno de personalidade limítrofe (TPL):

1 – Narcisismo – Necessidade de se destacar, de chamar a atenção mesmo que mostrando que não quer chamar a atenção, comportamentos que o sobressaem de alguma forma. Podem possuir a capacidade de seduzir, chamando a atenção com comportamentos sexualmente aparentes.

Relacionado ao narcisismo, está o medo de abandono, arrogância, egoísmo, falta de empatia, impulsividade, irritabilidade, manipulação, pensamento de ter sempre razão, vitimismo, altivez, sugestionabilidade, discursos que não são totalmente coerentes ou não tão aprofundados, atitudes não preventivas,

2 – Imaturidade – São imaturos por diversos fatores que são derivados da falta de raciocínio lógico. A emoção sobressai interrompendo o melhor funcionamento da região da tomada de decisões, prevenção e lógica no cérebro.

A imaturidade tem relação com comportamentos infantis; como a criança e o jovem só tem a formação total do seu lobo frontal, região da inteligência determinante citada acima, com até 24 anos de idade e também não tem a cognição totalmente desenvolvida já que o fator experiência é determinante, os comportamentos passam a ser denominados imaturos e com menor coerência. A emoção toma conta sendo mais impulsiva e com oscilação de humor.

Explicando o sistema ansiedade descontrolada e as suas consequências

A ansiedade funciona como uma pendência, faz parte do instinto e é crucial para a nossa sobrevivência. Quando acionada, em situações de risco ou mudança de rotina, ela busca através da amígdala um mapa de memórias relativa a acontecimentos similares, para que o indivíduo possa encontrar melhores soluções de respostas como fuga, reação ou paralisação.

A ansiedade constante e “potencializada” resulta em uma busca contínua deste mapa das memórias de acontecimentos que impactaram negativamente levando o indivíduo a uma “atmosfera” negativa, fazendo com que esta ansiedade, atuando como pendência, busque recompensas para reverter a sensação, trazendo melhores sentimentos e com maior impacto positivo. A dopamina, o neurotransmissor da recompensa, é liberado e gradativamente existe uma necessidade de maior liberação para o mantenimento da sensação já que, momentos repetidos têm menor impacto já que os neurônios formatam engramas de memória e quando consolidadas, têm menor potencial de ação.

Este ciclo; ansiedade – negatividade – recompensa positiva, torna-se intermitente e quando fora de homeostase, causa um desequilíbrio que afeta a rede de conexões do sistema límbico, núcleos da base, com o córtex pré-frontal. Há outras regiões envolvidas, mas separei as de maior relevância.

Esta “disfunção” resulta numa má conexão entre a região da emoção no cérebro com a região da razão, tomada de decisões, prevenção e lógica, tendo como consequências atitudes incoerentes e impulsivas. Similares às das crianças, com a diferença que não há a percepção do limite e dependência como as delas.

Numa sociedade onde a ansiedade está fora de controle, a internet entra como refúgio para a liberação de recompensa positiva, aumentando assim o distúrbio regional que poderia ser amenizado com o seu uso de maneira diferente da tradicional.

Se faz necessário a mudança de hábito, uma leitura profunda que traga conhecimento, também os padrões de dieta e exercícios físicos para uma melhor condição de funcionamento dos diversos neurotransmissores envolvidos, para uma plasticidade neuronal que possa reforçar as conexões sinápticas, neurônios, gliais trazendo um melhor funcionamento da região frontal do cérebro equilibrando assim o controle da emoção. A quantidade de conhecimento também é relevante para mais opções de melhores decisões que tragam atitudes para melhores comportamentos.

Onde o narcisismo entra?

O narcisismo faz parte do instinto, está relacionado com a reprodução que está relacionado com a sobrevivência da espécie. Todos temos um grau narcísico, mas quando fora de equilíbrio, causa distúrbios que comprometem o comportamento social. Trazendo sintomas como relatados acima. O ato narcisista traz recompensa, por isso, a necessidade de liberação de neurotransmissores que tragam melhores sensações, pode elevar o grau narcísico de um ser humano.

Alguns destaques

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