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Tratamento de Covid-19 pode trazer problemas para o quadril

por Redação CPAH

Médico ortopedista Dr. David Gusmão alerta que o uso de corticoides para tratar a fase grave da infecção viral pode trazer problemas para a região do quadril. Saiba como isso acontece e de que maneira é possível se prevenir deste problema ortopédico.

Não é segredo para ninguém que o Covid-19 é uma doença ainda repleta de incertezas. Diariamente, pesquisadores de todo o mundo tem se desdobrado para encontrar respostas para as inúmeras perguntas acerca desta enfermidade que mudou todo o mundo.

Por outro lado, um dos aspectos pouco comentados até o momento diz respeito aos danos causados pelo coronavírus e pelo seu tratamento, além da questão respiratória. Para se ter ideia, até o quadril da pessoa pode ser prejudicado com a enfermidade, é o que está estudando o médico ortopedista Dr. David Gusmão.

As infecções virais do tipo coronavírus sabidamente causam severas manifestações pulmonares em alguns casos. Porém, nos casos mais graves, especialmente quando requerem hospitalização, altas doses de corticóides (corticoesteróides) são necessárias para a inibição da inflamação e fibrose pulmonar. Porém, Dr. Gumsão lembra que “os cortico-esteroides são potentes drogas anti-inflamatórias e podem ser o fator decisivo na vida de muitos pacientes acometidos pela forma severa da doença. Mas sabemos que todas as medicações podem ter efeitos colaterais indesejáveis, e aí que está o grande problema”.

“Tivemos importantes lições com o uso do corticoide em altas doses no passado, especialmente com o tratamento da SARS em 2003. Claro que essa enfermidade era muito mais grave, mas o Covid-19 é muito mais contagioso, logo, um número maior de pessoas potencialmente deve necessitar de tratamentos semelhantes”, destaca o médico.

Acontece que, ao observar os pacientes que receberam altas doses de corticoide para os tratamentos das afecções pulmonares, especialmente acima de 3000mg (ou 3 gramas) ou com mais de 25 dias de tratamento, “foi registrado um aumento da incidência expressivo da osteonecrose dos quadris. Em 2003 no tratamento da SARS a incidência de osteonecrose com foi de 5% a 58% dos pacientes, em especial o quadril sendo o mais afetado”, revela o ortopedista.

Além disso, “um número expressivo dos pacientes (39%) pode apresentar essas alterações entre 3 a 4 meses, mas em 19% pode ocorrer até 3 anos do uso do corticoide. Vale lembrar que os pacientes mais afetados pela osteonecrose estão na faixa de 20 a 49 anos”, acrescenta Dr. Gusmão.

Segundo o médico, “também há evidências de que o próprio Covid-19 pode causar a osteonecrose diretamente, mas a aplicação do corticoide em altas doses é um fator de risco isolado de grande importância”.

Para quem não conhece, a osteonecrose é uma doença da circulação da cabeça femoral e das células formadoras de osso, os osteoblastos. “O problema é que se essa doença não for reconhecida a tempo e tratada corretamente o paciente irá precisar de uma prótese de quadril. Levando em consideração que os pacientes que têm mais risco da osteonecrose são jovens (20 a 49 anos), é imprescindível tratá-los para não perderem seu quadril natural. O tratamento é muito dependente do tamanho da lesão, localização e idade do paciente, entre outros fatores mais específicos”, explica.

Já o diagnóstico precoce é feito através do exame de ressonância nuclear magnética, um exame que não possui radiação. Dr. Gusmão observa que, para os pacientes que tiveram o uso de altas doses de corticoide, essa avaliação pode ser feita após 4 a 6 meses ou se começam com algum sintoma de dor na região do quadril e virilha. Caso não tenha apresentado alterações, o procedimento de diagnóstico pode ser repetido com um ano da data do tratamento com corticoide”.

Por outro lado, o ortopedista reforça que “felizmente existe tratamento para a osteonecrose e a taxa de sucesso depende muito da precocidade do tratamento. Pode ser apenas medicamentoso ou até mesmo cirúrgico. Ela não é de alta complexidade, em geral, é feita pequenas perfurações na cabeça femoral para estimular a circulação e, mais recentemente, utiliza-se concentrados de enxerto medular para devolver o estímulo biológico celular para a cabeça femoral”.

Diante desse cenário, Dr. Gusmão ressalta que “uma grande lição para todos os ortopedistas é reconhecer essa possível complicação relacionada ao tratamento do Covid-19 e agir rapidamente para salvar o quadril natural. Então, caso alguém tenha passado por esse tipo de tratamento, não tenha receio em procurar um ortopedista ou especialista em quadril para evitar esse problema”, finaliza.

 

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